7a. Expedição GAIA - Expedição Patagônia Argentina-Carretera Austral Chilena
Janeiro 2006 - Brasil - Argentina - Chile

Roteiro
Mapa do Roteiro
Números da Viagem
Relato
Album de Fotos
Álbum 1
Álbum 2
Álbum 3


Nessa viagem o comboio contou com 8 carros, sendo 2 de apoio e 20 pessoas, os participantes vieram principalmente da capital paulistana, do interior de São Paulo e para fechar dois cariocas, um morador de Teresópolis e outra do Rio de Janeiro.

A saída da expedição foi próxima à divisa do Brasil com a Argentina, mais precisamente na cidade paranaense de Cascavel, de lá seguimos para Foz do Iguaçu que depois de uma demorada e

burocrática passagem de aduana estávamos finalmente em solos Argentinos, para relaxar no final do dia, um belo banho nas águas do Rio Paraná já na cidade de Ituzaingó. O banho foi para repor as energias do primeiro dia de viagem e acumular alguma energia para dois longos dias de deslocamento sempre seguindo rumo sul até atingirmos o Oceano Atlântico já na cidade de Bahia Blanca. De lá seguimos costeando as praias e apreciando a fauna local com lobos, focas e leões marinhos, além de inúmeras espécies de aves até atingirmos a reserva da Península Valdez, um santuário dessas espécies, só que aqui nessa península são protegidos.

A cidade de Trelew nos acolheu para a passagem de ano com um belo hotel e uma ceia de ano-novo no Viejo Molino muito boa e super animada. A partir de Trelew deixávamos para trás o Oceano Atlântico e apontávamos em direção a Cordilheira dos Andes, o clima começou a mudar com uma forte chuva e frio e o calor dos dias anteriores foi ficando cada vez mais raro.

Atravessamos a Patagônia Argentina pela Província de Santa Cruz e conhecemos o canyon do Rio Pinturas, próximo a cidade de Perito Moreno, com suas intrigantes pinturas rupestres, pinturas essas muito parecidas com a que conhecemos no Brasil no Piauí, mais precisamente na Serra da Capivara, incrível coincidência, mas aqui conhecido como Cueva de Las Manos ou Cova das Mãos por contar com diversas marcas de mãos impressas nas paredes. Também tivemos a oportunidade de fazer um belo trekking pelo canyon do rio Pinturas.

Percorremos mais um trecho da Patagônia ao longo da cordilheira sentido sul pela Ruta 40 e seguimos em direção ao Chile pela Ruta 41 (ambas de rípio nessa região), entramos no Chile pelo último Paso de fronteira ao sul, Paso Roballo, atingindo o extremo sul da Carretera Austral Chilena.

Nossos planos de chegar ao extremo da Carretera Austral foram, de certa maneira frustrados, por conta da inconsistência das balsas que atravessam o estreito de Puerto Yungay para atingir a Vila O´Higgins, para isso teríamos que ficar mais dois dias no local. Decidimos ficar em Cochrane e conhecer Caleta Tortel, um vilarejo de pescadores onde as águas do Rio Baker desaguam no Oceano Pacífico e completamente construído de madeira com inúmeras passarelas suspensas. A temperatura a partir de Cochrane estava extremamente baixa e com muita umidade e chuva, a sensação térmica era baixíssima.

Seguimos rumo norte pela Carretera Austral que é uma bela estrada de rípio que margeia lagos, picos nevados, vilas de pescadores e glaciares ou “ventisqueiros” (como os chilenos costumam falar). A partir de Cochrane seguimos toda a Carretera Austral, passando pelo Lago General Carrera, Puerto Tranqüilo, Coihaique, Puerto Cisnes, Parque Nacional Queulat e as Termas de Amarillo já em Chaitén.

De Cochrane após atravessar de ferry boat a vazante do Lago General Carrera, paramos em um local conhecido como Bahia Mansa para fazer um passeio de barco e visitar a Catedral de Mármore são formações rochosas banhadas pelas águas do lago General Carrera, o lugar é fantásticos pelas cores e formas esculpidas pela água durante milhares de anos.

Em Puerto Tranqüilo saímos da carretera e seguimos por cerca de 45 km em direção oeste até onde a estrada termina, uma estrada linda, estreita e que a cada curva revelava paisagens indescritíveis, acampamos em um local onde um casal de alemães está montando um camping, ao lado do Glaciar Los Exploradores. O lugar é fantástico e tem um astral muito bom. Outro local de destaque continuando seguindo norte na Carretera Austral é o Parque Nacional Queulat onde pudemos acampar dentro do parque com uma estrutura muito boa e de frente para o Glaciar Colgante, um lugar magnífico onde é igualmente difícil descrever a beleza em palavras. Há diversas trilhas para o trekking, mas a chuva nos impediu de percorrê-las todas.

Deixando o parque para trás seguindo ainda rumo norte pela carretera, paramos nas Termas de Amarillo para um banho em piscina aquecia a vulcão e chegamos a cidade de Chaitén, uma vila portuária muito simpática. A maioria das pessoas que vem do norte do Chile, por exemplo, Puerto Montt ou da Ilha de Chiloé chegam de ferry boat nessa vila para daí seguirem rumo sul. Nossa parada na vila foi para experimentarmos uma das inúmeras iguarias da região, o salmão, um peixe delicioso que é comercializado nessa região toda.

De Chaitén começamos nossa saída do Chile, retornando pela Carretera Austral até o entrocamento da estrada que vem de Futaleufú, uma cidade bastante agitada por inúmeras atividades outdoor (trekking, rafting, canoagem, mountain bike e outras), a cidade fica na divisa do Chile com a Argentina, mas em território chileno. Ela conta com boa estrutura e é bem simpática. De Futaleufú seguimos para o Paso Rio Grande para tratarmos da burocracia de sair do território chileno e adentrar novamente em solos argentinos. Esse local também é bastante pequeno e tudo feito manualmente, inclusive tivemos a surpresa de um cão farejador em busca de drogas, o frio e a chuva continuavam a nos perseguir mesmo nesse local onde a altitude não passa dos 350 metros do nível do mar. De Chaitén esticamos até a cidade de El Bolsón já de volta a Ruta 40 que nessa região é asfaltada.

Aproveitamos a chegada em El Bolsón para fazer uma manutenção nos carros, afinal já havíamos rodado mais de 5.000 km e já estava na hora de dar uma geral com troca de óleo, filtros, reapertos e verificada nas partes de baixo dos carros.

De El Bolsón seguimos dessa vez pela Ruta 258 passando por San Carlos de Bariloche, San Martin de Los Andes e adentramos a região conhecida como “Rota dos Sete Lagos”, uma estrada de rípio sinuosa que vai serpenteando por lagos extremamente bonitos, nosso destino do dia foi o Parque Nacional Lanin que foi criado em 1937 e protege 412.000 ha de bosque andino patagônico, abriga ainda o belo Vulcão Lanin com seus 3776 m.s.n.m.e a maior parte do ano coberto de neve.

O Parque Nacional Lanin fica na divisa de fronteira da Argentina com o Chile, ao lado do Paso Mamuil Malai ou como sempre foi conhecido Paso Tromen (mesmo nome do lago que fica dentro do parque), conta com uma infra-estrutura precária de acampamento, mas com uma beleza incontestável com a bela visão do vulcão. A noite estava extremamente fria e com o céu muito aberto, a quantidade de estrelas que vimos é coisa inarrável. A lua cheia refletindo nas encostas cobertas de neve do vulcão Lanin foi uma visão inesquecível.

Deixando o Parque Lanin, já com saudades, seguimos até Malargüe, o dia estava bastante claro e com muito vento, temperatura girando na casa de uns 25o, a estrada no início um tapete de asfalto virou trechos de rípio em obras com muitas curvas, costela de vaca e muita poeira. Por isso tivemos neste dia um deslocamento extremamente pesado.Chegamos em Malargüe por volta da meia-noite e meia, ainda com tempo de pegar o restaurante do hotel aberto, tomar uma cerveja gelada, comer uma boa carne e cair na cama de cansaço.

Acordamos sem pressa alguma, já estávamos próximos a Mendonza, última cidade em nosso cronograma, seguimos de Malargüe pela Ruta 40 com uma rápida parada em San Raphael para um café. Apesar de haver um caminho mais curto de ripio, decidimos seguir pelo asfalto. Afinal já havíamos andado mais de 3.000 km em rípio e o percurso pelo asfalto, embora fosse mais distante, seria mais rápido. No final do dia já estávamos nos ajeitando no centro de Mendonza, que é uma bela cidade, porta de entrada de diversos aventureiros e escaladores que vem para a região praticar trekking, rafting e desafiar uma das montanhas mais altas da região, o Aconcágua. Além disso, há turistas que buscam apreciar os bons vinhos e conhecer as vinícolas da região, um belo programa. A cidade oferece excelente estrutura gastronômica, hoteleira e para viajantes do mundo todo.

De Mendoza o grupo foi se dispersando e começando seu retorno ao Brasil, via Rio Cuarto, Santo Tomé, Federal pela Ruta 12 e adentrando o Brasil por Uruguaiana, no Brasil. Depois de mais dois dias de deslocamentos já estávamos de volta em nossos lares, com alegria de ter cumprido todo o objetivo da viagem, deslumbrado ainda com as belas paisagens e muito felizes com as novas amizades que se formaram durante essa longa jornada. A todos os participantes nossos agradecimentos pelo companheirismo e compreensão durante a viagem.

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