5a. Expedição GAIA - Deserto do Atacama
Janeiro 2005 -
Brasil - Argentina - Chile
Roteiro
Mapa do roteiro
Números da Viagem
Album de Fotos
Cordilheira
Atacama 1
Atacama 2
Litoral Chile
Sul do Chile

... continuação

Rasgando o deserto seguindo ainda mais ao sul fomos até uma pequena vila chamada de Peine, onde tomamos um belo banho de piscina, essas piscinas ficam na cidade e são utilizados pela população local para passar o dia desfrutando das águas e descansando, o retorno foi pelo asfalto passando pela vila de Toconao antes de chegarmos em San Pedro. A noite ainda teríamos que arrumar as coisas para partirmos no próximo dia e cruzar o deserto na parte norte em direção à fronteira com a Bolívia em Ollague.

Uma parte do grupo seguiu direção norte até as Termas de Puritama, a cerca de 28 km de San Pedro, são piscinas de águas cristalinas a 3.000 metros de altitude, a temperatura da água beira os 38 - 40 graus, devido à passagem de águas subterrâneas próximas a vulcões. A outra parte do grupo aguardou na cidade enquanto o carro ficava pronto, e mais um imprevisto aconteceu, a bomba de combustível do único posto quebrou sem previsão de conserto e como a partir dali cruzaríamos o deserto sem pontos de abastecimento, a solução foi comprar combustível no “câmbio negro”, ou seja, pessoas que possuem galões de diesel no fundo da casa e vendem em galões de 20 litros, foi a maneira que nos salvou. O carro que havia quebrado o cambio ficou pronto sem maiores problemas. O grupo finalmente se reuniu depois de um belo banho nessas águas termais, afinal esse seria o único banho do dia já que a noite seria passada em um acampamento próximo a El Tatio a cerca de 97 km de San Pedro e com temperaturas abaixo de zero.

Com o sol começando a se por chegamos a um antigo acampamento de trabalhadores, o guarda local permitiu nossa entrada e passamos a noite ali mesmo. O acampamento possui quartos, banheiros coletivos e sem iluminação elétrica, mas tudo isso em pleno abandono. Foi a noite mais fria que pegamos com temperaturas batendo na casa de 3 graus negativos no amanhecer. Aproveitamos a reunião do grupo e fizemos uma macarronada coletiva, as barracas foram armadas dentro dos quartos para proteger do frio intenso. Antes mesmo do amanhecer já estávamos saindo para chegar em El Tatio, são geisers do vulcão El Tatio (lágrima de velho, no dialeto cunza) que cospem jatos de vapor e água fervendo com forte odor de enxofre. Todo esse campo geotérmico é o resultado do encontro de rios subterrâneos de águas geladas com as lavas vulcânicas do vulcão, que domina o horizonte. Nesse lugar é indispensável muito agasalho, luvas e gorro.

Retornamos ao acampamento para um belo café-da-manhã, arrumar as tralhas e seguir rumo norte cruzando a região, nosso destino desse dia foi Ollagüe, uma pequena vila incrustada na divisa com a Bolívia que dá acesso ao Deserto do Salar em Uyuni. A travessia é maravilhosa com lindas paisagens, areiões, montanhas, vulcões e estradas estreitas ao lado de desfiladeiros. Não existem placas e indicações nessa região, portanto antes de se aventurar sozinho é bom estar prevenido e ter um conhecimento prévio da região. O dia todo foi de deslocamento e antes de chegarmos a Ollagüe ainda passamos por dois enormes salares, mas a surpresa ainda estava por vir.

Depois de nos acomodarmos na única hospedaria que existe recebemos a notícia que não poderíamos atravessar para a região I do Chile (região de zona franca) onde só é permitido a entrada pela Ruta 5 ou Ruta 1, ambas não faziam parte de nossos planos iniciais. De qualquer forma, havíamos conseguido um local para dormir, uma vista linda para o vulcão, um jantar e um café antes de retornarmos cerca de 90 km até a estação San Pedro. Cruzamos por dentro de estradas de mineração até chegarmos no asfalto em Chuquicamata, a cidade abriga a maior mina de cobre a céu aberto do planeta, onde deixamos definitivamente a cordilheira dos Andes para trás. Aproveitamos a estrutura da cidade para abastecer os carros, os suprimentos e confirmar nossa chegada em Iquique. A partir dali foi um chá de asfalto direto pelo Ruta 5, passamos pela imigração da zona I e só paramos no Parque Pintados, onde existem os geoglifos, enormes desenhos feitos nos morros na beira da estrada cujo significado exato é um enigma até hoje. Há quem atribua a seres extraterrestres, mas uma explicação mais terrena é que serviam de informações para as caravanas que cruzavam a região. Chegamos em Iquique nas margens do Oceano Pacífico já no início da noite.