Os 7 mil e 500 quilômetros de extensão da Cordilheira dos Andes cortam o hemisfério sul desde acima da Linha do Equador até o extremo sul da Patagônia, cruzando diversas zonas climáticas. Em alguns momentos é apenas uma cadeia estreita de montanhas, como no norte da Patagônia, outras vezes se ramifica completamente, chegando a alcançar 750 Km de largura na fronteira do Chile com a Bolívia. Suas altitudes são bastante elevadas, ultrapassadas apenas pelas montanhas do Pamir e do Himalaia.
O lugar por onde cruzamos a cordilheira possui cerca de 550 km, saindo de uma altitude de 1280 metros do nível do mar na região de Salta atingindo no ponto mais alto da travessia os 4560 metros (a.s.n.m.) em Alto Chorrillo já em território chileno. Foram dois longos dias de viagem desde que saímos de Juan Gonzáles onde havíamos pernoitado, a travessia foi feita pelo Paso Sico e uma das noites foi dedicada a aclimatação na pequena San Antonio de Los Cobres, um povoado de 2.000 habitantes a 3750 metros de altitude no meio da cordilheira.
O grupo formado por 7 carros de diferentes tipos e diferentes regiões do Brasil (SP, RJ, SC e RS) havia se encontrado em Cascavel no dia 27/dez e a essa altura já havia percorrido mais de 2.000 km, deixando o Brasil para trás em Foz do Iguaçu, passando pelo Rio Paraná (onde acampamos uma noite), cruzando o Chaco Argentino e atingindo Salta antes de começar a cruzar a cordilheira.
Finalmente o Deserto do Atacama...
A chegada em San Pedro do Atacama foi recebida com bastante ansiedade já que era um dos nossos primeiros objetivos, depois de fazermos toda a papelada e burocracia de entrada definitiva no Chile, pudemos finalmente comemorar a chegada do ano de 2005 em um belo local. San Pedro do Atacama tem pouco mais de 3.000 habitantes e está a 2400 metros de altitude, é um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro, mochileiros, fotógrafos, astrônomos, cientistas, motoqueiros e aventureiros. Apesar de pequena e isolada no coração do deserto mais árido do mundo, San Pedro possui uma vida agitada, mesmo depois da meia noite, os bares e restaurantes ficam lotados de pessoas conversando e planejando o dia seguinte.
Nosso objetivo foi ficar dois dias completos na região, conhecendo assim os principais lugares e pontos imperdíveis tais como as ruínas do povo atacamenho que serviram de proteção dos ataques incas, em 1450 e posteriormente dos ataques espanhóis em 1540, o local é conhecido como Pukara de Quitor. Mais tarde conhecemos o Vale da Morte, a cerca de 4 km a oeste de San Pedro, pertence à Cordilheira do Sal e possui formações de dunas e desfiladeiros que impressionam pela beleza, o lugar é conhecido por esse nome porque foi utilizado pelos antigos habitantes para levar quem estava gravemente doente para esperar a morte, ali foram encontradas diversas múmias que hoje estão no museu de San Pedro. O final do primeiro dia na região foi no Vale da Lua - apesar de termos deixado um dos carros no Vale da Morte com o cambio quebrado para um resgate posterior esse local pertence à mesma Cordilheira do Sal que o Vale da Morte e é o ponto de encontro de todos os aventureiros para apreciar o maravilhoso pôr-do-sol, esticamos as canelas subindo a enorme duna apreciando as formações do vale talhado pelo vento durante 60 milhões de anos. No retorno para a cidade uma parte do grupo seguiu e a outra voltou ao Vale da Morte para um resgate noturno do carro, cardan solto, cinta amarrada e antes de retornarmos paramos para apreciar o céu limpo e repleto de estrelas.
O segundo dia no Deserto do Atacama foi dedicado a percorrer o Deserto do Salar, o terceiro maior deserto de sal do mundo, antes de partirmos arrumamos um mecânico para arrumar o carro, ou seja, desmontar o cambio e verificar qual foi o problema. Partimos para o sul de San Pedro e a primeira
parada foi na Aldeia de Tulor, uma antiga vila atacamenha que possui curiosas construções de adobe e algumas particularidades interessantes do modo de vida desse povo, como por exemplo, as casas construídas de forma circular para não serem enterradas pela areia do deserto e túneis que as interligam, as portas são todas voltadas para o Vulcão Licancabur. Saindo da aldeia continuamos seguindo para o sul e fizemos uma parada na Quebrada de Jerez para um refrescante banho, esse local é um verdadeiro oásis que servia de parada para os povos que cruzavam a região, seguindo dali cruzamos o imenso deserto até a reserva dos Flamingos no meio do Deserto do Salar, uma gigantesca camada de sal sobre um lago de água salobra onde cerca de 4 mil ariscos flamingos cor-de-rosa de 4 espécies diferentes vivem ali alimentando-se de microorganismos existentes no lago. O sol nesse local é muito forte e o ar é extremamente seco, proteja-se com filtro solar, chapéu, óculos escuros e protetor labial.