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El Chalten
O clima reservou uma surpresa para a nossa despedida de Torres del Paine, o dia estava "despejado" (limpo e sem nuvens) e as Torres estavam deslumbrantes em sua roupagem de neve. Um grupo de guanacos se despediu de nós antes da ponte e um grupo de condores nos esperava depois da saída do parque. Paramos antes de cruzar a fronteira para comprar umas lembranças do Chile (não podia esquecer o Aji para o Neto e nem uma recordação para o Seu Maeda!). Voltamos para a Argentina, abastecemos novamente em Tapi Aike, passamos pelo asfalto esburacado e tomamos a ruta 40 para o norte sem entrar em El Calafate. Depois de uns 100 km de ripio chegamos ao Lago Viedma e a entrada à esquerda para El Chalten. A estrada era um pouco pior e chovia bem fino. Além disso, estávamos indo contra o vento. Depois de 40 50 km paramos para admirar o Glaciar Viedma, que dá origem ao lago. A cordilheira à nossa frente estava linda, atraente, magnética, colorida, chamativa, oferecida, ... Depois de cruzar o Rio de las Vueltas entramos no Parque Nacional de los Glaciares e chegamos a El Chalten cruzando o Rio Fitzroy. Paramos no centro de informações do parque, pegamos os mapas das trilhas e nos informamos sobre elas. Decidimos procurar um hotel na cidade e percorrer as trilhas em ida e volta, pois os percursos que pretendíamos fazer eram da ordem de 3 a 4 horas de caminhada. No centro de turismo da cidade conseguimos um hotel de preço razoável. Depois, telefonamos, compramos sanduíches para comer nas trilhas e jantamos. Na Argentina existem locais para telefonemas (não diga ligação !) que se chamam "Locutorio", o preço é bem razoável. No dia seguinte acordamos bem cedo para caminhar em direção ao famoso Fitzroy. Saímos do hotel debaixo de chuva e vento. A trilha estava molhada, mas não escorregadia, e subia em direção a um vale atrás da cidade. Levávamos as mochilas pequenas. Subimos até a Laguna dos Patos por dentro da mata e continuamos a subir até a Laguna Capri. Logo depois podíamos ver o Glaciar Los Três. Quando saímos em campo aberto começou a chover forte. No meio do caminho encontramos um casal de holandeses que havíamos conhecido no campamento Seron. Eles disseram que o clima estava péssimo naquele dia. Seguimos em frente, na chuva, e depois de 3 horas chegamos ao campamento Poincenaut no meio de uma mata. Não havia ninguém fora das barracas. Comemos, vestimos as calças impermeáveis e mais um pulôver e pensamos em seguir em direção ao Glaciar e a base do Fitzroy. Porém, a chuva e o vento aumentaram de intensidade. A chuva caia na horizontal. Desistimos de continuar e resolvemos voltar. Foi duro cruzar o campo aberto depois de sair da mata, pois chovia e ventava muito forte. Caminhamos tão rápido quanto podíamos até chegar na outra mata, mais abrigada. Quando chegamos ao Lago Capri a chuva havia virado garoa, mas para o lado do Fitzroy ainda chovia forte. Completamos a volta em 3 horas, quase sem parar. Chegamos ao hotel bem encharcados e quase no limite de impermeabilidade dos nossos casacos. Depois de um banho quente e um descanso saímos para passear de carro ao longo do Rio de las Vueltas. O tempo abriu e, das margens do Rio Electrico pudemos fotografar as montanhas Saint Exupery e Fitzroy, quase descobertas. Jantamos naquele dia um excelente bife de filé com uma Quilmes de litro. Reencontramos os holandeses e eles nos perguntaram: Vocês estão secos? (Are you dry?)Para a segunda caminhada não nos preocupamos com a hora de acordar. O dia amanheceu ensolarado e saímos logo que constatamos isso. O vento batia gelado, mas não chovia. A trilha para a Laguna Torres começava perto do hotel, com uma subida até um ponto onde se pode ver o Glaciar Torres, depois vai por um vale em campo aberto (agora com Sol) até chegar ao pé da laguna. Já no vale se começa a sentir o hálito gelado do glaciar, um vento forte e frio que emana do mesmo. Depois de 3 horas de caminhada estávamos subindo a encosta da laguna e curtindo o visual. Depois caminhamos para dentro da mata, onde há um camping, para descansar e comer. A volta foi bem agradável e tranqüila. Caminhamos 7 horas no total. No jantar não resisti, filé e Quilmes.
O Deslocamento de Campinas ao Chile
A estadia em Torres del Paine e o trekking no Grande Circuito
O Retorno
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