27/Setembro – Praia de Genipabu – Galinhos (RN)
Antes mesmo das 05:00hs da manhã, Monika me chama para irmos ver o sol nascer, depois de muito relutar com a cama acabamos cedendo e fomos, o dia ainda estava escuro e teríamos tempo de ver Ele nascer em cima das dunas. Infelizmente estava cheio de nuvens e conseguimos apenas ver o brilho do dia começar a clarear, o que com o decorrer do dia estaria muito forte e com céu muito azul.
Voltamos rapidamente a pousada para tirar mais alguns minutos de sono e acordar em tempo para o café-da-manhã, nem bem deitamos e parece que as duas horas voaram. Levantamos, arrumamos as coisas, tomamos café, abastecemos a toyota e um tanque de diesel extra com 20 litros, pegamos as últimas informações no posto de combustível e partimos para a balsa que nos levaria as praias.
A balsa só tem capacidade para um carro por
vez, elas costumam fazer as travessias dos bugues que levam os turistas pelas
praias. A balsa que os levou era um pouco maior devido ao peso do carro e Marcos
com a experiência de 8 anos atravessando carros por ali nos levou com
tranqüilidade ao outro lado do rio Ceará-Mirim. A taxa cobrada é de R$ 3,00 e em
5 minutos já estávamos entrando definitivamente na praia, um areião em meio a
coqueiros e logo estávamos a beira mar.
A maré estava começando a baixar, mas
pudemos percorrer pelas praias com uma certa tranqüilidade, logicamente com
tração e reduzida devidamente acionada. O percurso que fizemos passamos pelas
praias de Barra do Rio (onde tem a balsa), Graçandu, Pitangui, Jacumã, Muriú e
em Maxaranguape saímos e seguimos pela estrada de barro beirando o mar até Rio
do Fogo, essa estradinha é bonita e atravessa diversas vilas pequenas com povo
simpático e muitas crianças, que faziam a festa com as balas que entregávamos.
Em Rio do Fogo resolvemos retornar a praia, a maré já tinha baixado mais e seguimos pelas praias de Perobas, Garças, Carnaubinhas, Touros, atravessamos a Ponta do Calcanhar onde está o Farol do Calcanhar, um dos maiores do mundo com 62 metros de altura, esse local é onde as pessoas falam que o vento faz a curva, pois é o ponto mais próximo da África e o ponto mais a Nordeste do Brasil. Contornamos esse trecho e retornamos a estrada de barro que logo se tornou asfalto e chegamos em São Miguel do Gostoso, dessa vila seguimos por Reduto, saímos da beira mar e seguimos para Parazinho, Pedra Grande, São Bento do Norte e Caiçara. Todo esse percurso foi feito em asfalto e um trecho de 25 kms de terra.


O dia ainda nos prometia muitas aventuras, na verdade não sabíamos ao certo onde iríamos parar, só tínhamos ouvido falar bem de Galinhos e quando chegamos em Caiçara, tentamos seguir e logo a estrada acabou e foi em direção a praia, retornamos a cidade e pegamos as informações de como chegar a esse local e a melhor maneira seria seguir pela praia, num trecho de aproximadamente 28 kms. Checamos a condição da maré que já estava subindo, mas ainda tínhamos tempo de percorrer uma grande parte a beira-mar.
Decidimos seguir pela praia, logo na entrada
da praia um areião para ser vencido e chegamos a beira do mar, tração e reduzida
engatada e seguimos adiante com uma dose de velocidade para não perdermos tempo,
não sabíamos o tempo exato e a distância que seguiríamos, portanto precisávamos
nos apressar.
Em certos trechos a praia começava a se
estreitar e tínhamos que acelerar para vencer uma pequena duna e seguir pelo
areião. Alguns momentos de tensão em trechos que não sabíamos por onde seguir, a
toyota está muito pesada e se ficarmos preso na areia seria uma bela dor de
cabeça. Mas seguíamos bem, apesar da adrenalina a mil, em trechos precisamos
andar por sobre algumas pedras, pois, as dunas seguravam muito o carro, mas
finalmente depois de uns 50 minutos chegamos a Galinhos, a entrada da cidade é
feita por cima das dunas em meio a um areial e finalmente um trecho calçado,
onde relaxamos, soltamos a reduzida e paramos. Logo encontramos uma pousadinha
boa e Angélica muito simpática nos atendeu.
A adrenalina ainda corria solta em nossas veias, apenas colocamos as coisas no quarto e andamos pela vila, um lugar muito simpático com pessoas mais simpáticas ainda e crianças alegres. A Monika resolveu pegar algumas sementes de Pau Brasil e recebeu a ajuda de dezenas de crianças subindo na árvore, pegando no chão e fazendo a maior festa. Estávamos com a garganta seca e louco para tomar uma gelada, mas estava um pouco complicado, pois o movimento era muito fraco para o meio da semana.
Finalmente tomamos umas no Bar do Zeca e comemos um lanche na padaria que estava super movimentada com o povo local indo buscar pão para o jantar, estar num local desses e ver o dia-a-dia dessas pessoas é algo muito bom de sentir e ver a simplicidade de todos um lugar muito bonito.
Depois de comermos algo, tomamos banho e desmaiamos, nem conseguimos assistir TV ou escrever o relato, o dia foi cheio e o deslocamento foi grande e muito proveitoso. Dormimos felizes e satisfeitos com o dia que passamos.
Somente em Galinhos que ficamos sabendo que a única maneira de chegar ou ir embora de carro é por onde viemos, ou seja, teríamos que enfrentar tudo de novo desde Caiçara. Outra maneira de chegar na comunidade é por barco a partir de Guamaré, os carros ficam estacionados e as balsas fazem a travessia. Na comunidade, crianças com carroças levam até a pousadas as malas e os pertences.