02/Outubro – Jericoacoara – Paulino Neves (Maranhão)
Hoje completamos 24 dias na estrada, rodando cerca de quase 5000 kms por todo o litoral brasileiro da Bahia até o Maranhão, a previsão de chegar no Maranhão era daqui a 3 ou 4 dias, mas estávamos cansados da viagem e querendo descansar e chegar em algum local para podermos parar e descansar por um tempo. E foi justamente o que fizemos, ainda na dúvida do caminho que seguiríamos para sair de jeri acordamos e tomamos nosso café, o sol e o calor já estavam bastante intensos, enquanto Monika arrumava as coisas no quarto fui buscar algumas informações com os bugueiros da vila para saber do caminho pela praia para Camocim, economizaríamos tempo e a paisagem seria muito mais bonita.
As informações sempre eram a mesma que o caminho era tranqüilo e podia ser feito em cerca de 1 hora ou menos – Não gasta tudo isso não, diziam eles. Carregando o carro na frente da pousada, logo a toyota ficou rodeada de pessoas interessadas no que fazíamos, para onde iríamos e etc., e Roseval, um bugueiro da vila prontamente se prontificou a nos guiar até Camocim pela praia, lógico que cobrando R$ 20,00 pelo percurso, como não conhecemos a região e as traiçoeiras areia do caminho aceitamos.


Antes de partimos, distribuímos adesivos ao pessoal da rua que logo foi colando nos bugues e caminhonetes, foi uma festa essa nossa partida. A Monika resolveu viajar no bagageiro, assim podia dar espaço para o guia no banco dianteiro e aproveitaria para tirar fotos de todos os lugares sem termos que ficar parando, assim, partimos.
A saída da vila é feita por trás das dunas, o
Ibama proibiu o acesso de carros a praia, uma atitude louvável a natureza e
respeito ao turista. O caminho é tranqüilo e andar pela praia também,
principalmente em maré baixa ou maré pequena. Seguimos pela praia, passamos a
primeira balsa, pagando o absurdo de R$ 10,00 pela travessia e seguimos, assim
que passa a balsa, atravessamos um trecho de mangue com uma belíssima paisagem.
A paisagem variava de trechos com praias enormes e dunas ao fundo, mangue e
braços de mar que precisa ser contornado.
Chegamos a comunidade de Tatajuba, um local
onde os bugueiros levam os turistas para conhecer e também ouvir as histórias da
antiga Tatajuba enterrada pelas dunas em tempos passados. O sol nos acompanhava
o tempo todo e mesmo assim seguimos sem parar, no último braço de mar chamado de
Feijão, há um desvio por fora, a travessia não é feita pois pode-se perder o
carro ali, areia fofa com água forma uma bela lama salgada que engole o carro
todo, contornamos essa região e logo apontamos na praia para a balsa de Camocim
atravessar o mar e atracar onde estávamos. Mais uma vez paga-se R$ 10,00 pela
travessia e em cerca de 10 minutos estávamos do outro lado, a partir daqui seria
um chá de asfalto até próximo a Tutóia, rasgando o estado do Piauí.
O percurso foi feito sentido oeste adentrando o estado do Piauí até chegarmos em Parnaíba, onde fizemos uma parada rápida para abastecer, passar no banco e comermos alguma coisa. Daqui seguimos direto, saímos do Piauí e finalmente Maranhão !!!
O trecho próximo a divisa com o Piauí está horrível, são cerca de 20 kms com muitos buracos onde a velocidade não passa de 20 ou 40 km/h, vencido esse trecho as condições melhoram bastante, ficamos atentos apenas a hora ou outra apareciam novos buracos no asfalto. Antes mesmo de chegar em Tutóia viramos a esquerda na estrada de areia para Paulino Neves, o dia estava começando a terminar e ainda teríamos 24 kms até nosso destino. Uma rápida parada para ligar a roda-livre da toyota e seguimos, a estrada variava de areia dura até trechos com facão e areia bem fofa. Em uma parada rápida para tomar um gole de água e conferir o caminho no GPS que fiz em janeiro passado um caminhão nos passou, infeliz idéia de deixar ele passar. Logo numa subida de areia ele enroscou, passamos pela lateral, mas estava bem apertado e tivemos que tirar o retrovisor do caminhão para poder prosseguir, mesmo assim, ainda esperamos um pouco para ver se precisavam de ajuda, mas eles já estão muito acostumados a isso por aqui, foi só colocar uns pedaços de madeira para o caminhão seguir em frente, mas dessa vez seguimos antes dele.
O GPS marcava a kilometragem que custava a passar, estávamos anciosos e cansados, então demorava mais ainda para chegar, finalmente depois de muita areia, pontes novas construídas de concreto chegamos a Paulino Neves, buscamos informações de onde Ricardo estava morando e construindo sua pousada, um menino nos acompanhou até lá e finalmente encontramos o local e Ricardo e Fernanda, junto com Aruã seu filhinho que ficaram surpresos com a nossa chegada, pois, como comentei anteriormente estava previsto para Sábado ou Domingo e chegamos na Quarta-feira.
A chegada foi um alívio ao nosso cansaço dessa maratona por cerca de quase 5000 kms de praia, mas nosso espírito viajante continua aceso e sempre pronto para novas jornadas como fizemos, agora puxamos um pouco o freio de mão e iremos passar um tempo em Paulino Neves para sentir e ver o potencial que a cidade tem a oferecer a nós. Espero que sejamos recebidos de braços aberto, por enquanto fomos...