8a. Expedição GAIA - Expedição Amazônia 2006

Duração: três semanas / De 07/abril a 29/abril/2006

O temporal que desabou durante toda noite finalmente cessou e a manhã estava com uma névoa que cobria parte da floresta. Acordamos assim que o dia amanheceu para mais uma etapa no deslocamento pela BR-163 que, este ano, estava destruída pela intensidade das chuvas.

Mapa do Percurso
Album de Fotos
Album 1
Album 2
Album 3
Album 4
Edição 2005


No dia anterior o trajeto já não tinha sido fácil. Saímos de Alter do Chão e nos deslocamos por 186 km, sendo 90 km de asfalto e 40 km de terra em estado razoável. O restante estava inundado de atoleiros, tantos que se perdiam à vista. Isto seria apenas uma prévia do que nos esperava no dia seguinte...

Como não conseguimos alcançar o destino planejado, graças à precariedade deste trecho inicial da lendária Transamazônica, fomos obrigados a pernoitar na estrada, em grande estilo sertanejo. Montamos nosso acampamento improvisado em uma comunidade na beira da estrada, embaixo de um galpão de madeira que servia para festas religiosas da comunidade. Lá cozinhamos, ajeitamos nossas redes e barracas e tentamos dormir ao som do temporal que, como dito, não deu trégua.

Pela manhã, fomos gentilmente acordados pelos caminhões que dividiram acampamento conosco no pequeno vilarejo. Caminhoneiros esquentando os motores significa que a partida deles está próxima e que a nossa precisa estar mais próxima ainda! A nossa adrenalina já estava a mil para o comboio sair antes deles, pois, na Amazônia, estar à frente de caminhões nos atoleiros representa o ganho de horas nas negociações – pois existe uma “fila” a ser respeitada para transpor alguns atoleiros e a gente sempre tentava (com êxito!) passar na frente dos caminhões - e agilidade em nosso deslocamento.

Saindo da comunidade encontramos já nos primeiros 5 km um enorme desvio com caminhões já enroscados. Felizmente passamos fácil pelos obstáculos, sem saber que o bixo ia pegar mesmo a alguns quilômetros dali.

As notícias que tínhamos era que uma filinha básica de 60 caminhões estava no sentido contrário aguardando para atravessar o tal atoleiro. Haja negociação...

Para quem nunca foi à Amazônia fica difícil imaginar como uma estrada pode mudar tanto em tão pouco tempo. Em questão de horas, por conta das chuvas, o que era ruim fica pior, e o que era pior fica pior ainda, instransponível. Ou, melhor dizendo, quase intransponível.

Esse local à beira de um rio tinha, no mínimo, 3 km ininterruptos de lama, muita, muita lama, uma verdadeira visão do inferno. Imaginem um inferno que, em vez de fogo, tem lama por todos os lados! Mesmo assim, nosso grupo composto por nove valentes veículos foi vencendo cada metro do atoleiro até sermos, ao final, vencidos por uma subida gigantesca com um grande facão (ou camaleão como eles chama por lá) formado pela bitola dos caminhões. Esse trecho amigo estava logo depois de uma ponte que, por sorte, estava em estado razoável.

Aliás, se o rio sobre o qual passa esta ponte, que estava muito além dos seus limites, subisse um pouco mais, levaria a ponte embora e chegaríamos, involuntariamente, ao final da viagem. Ficaríamos ilhados na parte norte da estrada sem acesso nenhum à rodovia Transamazônica, nosso objetivo desse dia. Claro que esta previsão pessimista, mas totalmente realista, estava nos planos e as incertezas fazem parte de uma viagem como esta.

Trabalhamos por horas nesse local tentando nos deslocar por míseros 100 metros. Encontramos até uma L-200 e uma S-10 que não pertenciam ao comboio e acabaram atrapalhando nossa vida, pois esses carros quando não estão adequadamente equipados não têm a menor condição de trafegar em uma estrada como aquela.

Nossas energias físicas estavam se esgotando devido ao trabalho duro e ao calor típico da região, na casa dos 40º. Nossas convidadas indesejadas estavam sucumbindo: a L-200 já havia explodido o motor e a S-10 com dezenas de problemas mecânicos. Nossos bravos veículos, apesar de tudo, continuavam intactos.

Por fim, fomos salvos por um trator 4x4 conhecido na Amazônia como “Jirico”. Fizemos trenzinhos com dois ou três jipes e o trator nos levava fora desse atoleiro dimensões dantescas. Conseguimos, assim, vencer mais esse local e deixar para trás os dois carros fora do comboio que seriam rebocados até Rurópolis, a 20 quilômetros dali.

A partir desse ponto seguimos por mais alguns trechos razoavelmente tranqüilos até chegarmos no último atoleiro antes de Rurópolis, onde o exército brasileiro “melhorava” a estrada com dois tratores de esteira e mais um Jirico. Ficamos cerca de 3 horas ou mais esperando a liberação da pista. No comecinho da noite concluímos a travessia, mais uma vez com a ajuda do trator-salvador, pois os jipes, por mais equipados que estavam, não tinham condição de atravessar aquela subida enorme com terra solta e remexida pelas máquinas. Depois seguimos sem problemas até a pequena cidade de Rurópolis, no entrocamento da BR-163 norte com a Transamazônica, onde pudemos ter uma noite tranqüila de descanso.

Esse relato serve como pano de fundo para a aventura que foi a 8a. Expedição Gaia Amazônia 2006 que teve seu início na cidade de Rio Verde, no Mato Grosso do Sul e percorreu cruzando três estados (MS, MT, RO) até atingir a capital rondonense, Porto Velho, onde o grupo inteiro se reuniu para dar a partida. Estávamos em nove veículos (duas L-200 Savana, uma L-200 GLS, uma L-200R preparada para andar nas ruas, dois jipes Toyota Bandeirante, dois jipes Troller e um Toyota Bandeirante Cabine Dupla) em um total de 15 pessoas, que se juntaram para percorrer os 2200 km da rodovia Transamazônica (BR-230) durante o final do inverno amazônico, em um ano de muitas chuvas e dezenas de cidades alagadas.

A Defesa Civil divulgou na tarde desta segunda-feira (24/4) mais um relatório parcial sobre a situação dos municípios atingidos pelas cheias. Já são 3.792 famílias desalojadas e 1.265 famílias desabrigadas. Foram registradas 7 mortes. Ao todo, são 18 municípios em situação de emergência: Tucumã, Anapú, Rondon do Pará, Porto de Moz, Almeirim, Itaituba, Prainha, Parauapebas, Água Azul do Norte, Eldorado do Carajás, Óbidos, Marabá, Tucuruí, Novo Progresso, Altamira, Monte Alegre, Anajás e Santarém. – fonte Jornal O Liberal (Belém-Pará)


Para nós a satisfação de ter proporcionado uma viagem como essa a todos os participantes é incrível e ficamos extremamente felizes com o resultado, os companheiros e amizade que se formou com esse grupo.

A todos os participantes nosso muito obrigado.

Um agradecimento muito especial a Dona Arlete de São Paulo (capital) que preparou e embalou com muito carinho brinquedos e biscoitos que foram distribuídos pelo grupo para crianças carentes das comunidades por onde passamos. Um trabalho muito bonito dessa senhora.

Apoio:



por Marcelo Fuzinato - contato@gaiaexpedicoes.com
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