Colunistas
Marco Aurélio De Paoli
A moderna tecnologia química e os esportes out-door


Quando lemos a narrativas de Expedições feitas há 50 ou mais anos atráz nos espantamos com as dificuldades enfrentadas pelas pessoas para vencer situações que hoje seriam vencidas com muito menos dificuldades. Vejamos por exemplo a última expedição de Scott ao Pólo Sul. Os sacos de dormir eram feitos de couro e revestidos internamente de pele, em situações de baixas temperaturas eles ficavam duros e não podiam ser dobrados ao risco de se romperem

A água congelava dentro dos sacos de dormir. As roupas eram de couro e impermeabilizadas com cera. As botas impermeáveis de borracha endureciam e quebravam em temperaturas abaixo de -20 oC. Nas primeiras tentativas de escalar o Everest as dificuldades também eram enormes pois os equipamentos eram muito pesados e pouco eficientes. As barracas e as mochilas eram de lona grosa e suas armações eram de madeira ou de bambu. As capas de chuva e galochas eram feitas de borracha natural vulcanizada. As armações de alumínio só começaram a aparecer na década de 70, mesmo assim eram grossas e pesadas. O que mudou de lá para cá?

Para localizar o ponto de virada temos que lembrar da descoberta do Nylon por Carothers na década de 40. Inicialmente as fibras de Nylon eram usadas somente para confeccionar os tecidos dos pára-quedas das forças aliadas. Logo o Nylon começou a ser usado para confeccionar meias e substituiu o algodão e a seda em muitíssimas aplicações. Hoje temos diversos tipos de poliamidas que são usadas para fazer tecidos muito leves, impermeáveis e resistentes. Nossos modernos sacos de dormir são feitos com estes tecidos e mantêm a sua flexibilidade e poder de isolamento térmico mesmo nas temperaturas mais baixas. Depois da década de 80 começaram a surgir as barracas tipo iglu. Elas têm o tecido todo de poliamida, Nylon, e a armação de plástico leve, flexível e resistente. Estas barracas modernas resistem a mais de 12 horas de chuva contínua, resistem ao vento da Patagônia de 100 km/h e não pesam mais do que 2 kg (capacidade para duas pessoas). A sua impermeabilização é completada com uma camada de polisiloxano que é borrifado sobre o tecido na forma de um spray.

As roupas também passaram por avanços tecnológicos sensacionais. Uma descoberta que revolucionou o mundo do esporte out-door foi a fibra de Gore-tex, patenteada pela DuPont. As roupas feitas com esta fibra são completamente impermeáveis, mas permitem que o corpo respire através delas. Usando uma roupa confeccionada com esta fibra é possível caminhar muitas horas sob chuva intensa sem molhar a roupa interna e sem a desagradável sensação de estar sufocando dentro do impermeável. Tão bom como estas, são aquelas feitas com o tecido dry-fit, que permite que as roupas sequem rapidamente, tanto depois de uma chuva, como depois de lavá-las.

Os modernos protetores solares também são mais um fator de conforto para aqueles que se dedicam a escalar montanhas ou a fazer caminhadas em altas altitudes. Eles permitem fatores de proteção acima de 30, sem a desagradável sensação de estar com a pele melada de creme.

As roupas de poliuretana para uso em mergulho em águas a baixas temperaturas também foram um avanço muito grande no conforto. Produzidas em diversas espessuras, elas permitem que uma pessoa comum mergulhe em águas que só poderiam ser conhecidas por mergulhadores altamente experientes. Tudo isso, sem falar da “silver tape” (fita adesiva patenteada e produzida pela 3M) que serve para tudo, desde remendar barraca até roupa de mergulho. Hoje em dia ninguém sai para lugar nenhum sem levar um rolo de silver-tape

Os avanços modernos da Química têm proporcionado ao homem inúmeras vantagens e confortos em suas vidas, mas acredito que os amantes da natureza são aqueles que mais se beneficiam destes avanços em suas aventuras.

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