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Colunistas |
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Marco Aurélio De Paoli
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O Mago
Conhecemos o Mago na nossa primeira viagem com a Madrinha (a Toyota Bandeirante 1997 da Tércia) para o Mato Grosso do Sul. Destino Jardins. Segundo o Mago, ao lado de Guelópis (Guia Lopes da Laguna). O pai do Mago tinha um hotel modesto em Jardins e ficamos hospedados ali. De manhã nos reuníamos na mesa do café, na cozinha do hotel, onde a mãe do mago misturava guarani com português e nos brindava com as suas chipitas (um tipo de pão de queijo). O Mago, entre uma chipita e um café, propunha: gente, hoje vamos até um coricho de águas cristalinas que fica aqui meio perto. (meio perto no Mato Grosso significa uns 50 a 70 km de distância e coricho é poço para nadar). Preparávamos um farnel e saíamos pelas estradas poeirentas da época de secas até um lugar onde o Mago dizia, pára e entra aqui no meio do mato. O Mago descia e entrava no meio do mato descalço e sem camisa, como um saci. Nós mal conseguíamos acompanhá-lo pois o mato ia se fechando por trás dele e não ficavam marcas de pegadas (o Mago flutuava?). Num toque de mágica, aparecia aquele riozinho de águas cristalinas. Na beira do rio ele se abaixava e se benzia com a água dizendo com os braços abertos: Obrigada mãe natureza por toda essa beleza! A gente nem pensava duas vezes e já estava dentro dágua assustando os peixes.
No outro dia, gente hoje vamos até uma cachoeira meio escondida no meio do mato, dentro de uma fazenda. Lá íamos de novo, poeira, tração ligada, areial, porteira e mato. Parávamos na porta de uma casa no meio do mato e o Mago descia para dialogar. Depois de uma conversa a dona da casa abria porteira e indicava o caminho. Já éramos de casa. Os passeios em torno de Bonito foram todos arranjados pelo Mago, com gente conhecida, lugares secretos, só conhecidos dos iniciados.
Depois resolvemos nos tocar para a Chapada dos Guimarães, um pouquinho mais longe, um dia de viagem pelo asfalto. A paisagem no caminho era meio monótona, muita soja, seringueiras, pastos e uma parada para o frango com farofa que tínhamos levado.
Na Chapada o Mago foi procurar a sua turma e ver como a gente se ajeitava. Conseguiu um chalé para todos nós por um preço baratinho. Já no dia seguinte nos propôs ir a uma cachoeira ali pertinho, dava para ir a pé. Lá fomos nós, tentando de novo acompanha-lo, até um lugarzinho escondido com uma linda cachoeira que descia na negativa de uma pedra e escondida no meio das árvores. Depois fomos conhecer a Chapada, hoje Parque Nacional, que havia sido terreiro de brincadeiras do Mago infante e sua turma. Andamos pelas trilhas o dia inteiro e conhecemos as cachoeiras. No outro dia fomos descobris o discoporto. Até o guarda da polícia rodoviária nos tinha garantido, ali desce disco voador todas as noites. Escalamos o São Jerônimo até o cume e encontramos o grande círculo de capim queimado onde deveriam descer os tais discos voadores. Parece que naquele dia não haveria vôo, pois não deram as caras os tais E.T.s. Menos mal, porque naquele dia fomos até a cidade de pedra por um caminho onde muitos já tinham ficado atolados na areia. Nada que uma 4 x 4 reduzida não resolvesse. A Cidade de Pedra nos reservou um espetáculo inesquecível, o por do Sol a oeste, a Lua Cheia a leste, as silhuetas esculpidas pelo vento parecendo uma cidade fantasma e a encosta da chapada tingida pelo vermelho do Sol poente. Difícil não querer ficar ali para o resto da vida, só contemplando entardeceres.
E assim foi por alguns dias. Cada dia o Mago abria o seu baú de surpresas e tirava de dentro uma de suas jóias, que se transformavam em uma cachoeira, uma paisagem, um rio, um poço para nadar, algo com o qual ele nos brindava. Um baú que se parecia com uma cornucópia, de onde nunca ia parar de sair jóias, bastava que soubéssemos apreciá-las. Ainda hoje, quando olho uma paisagem, sinto a presença do Mago com os braços abertos exclamando: obrigado mãe natureza por ter me dado tanta beleza!
Volta
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