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Colunistas |
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Marco Aurélio De Paoli
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A última expedição de Scott e a viagem do Endurance.

Os diários do explorador antártico Robert Falcon Scott (1868 1912), publicados pela primeira vez em 1913, relatam a sua saga para chegar ao Pólo Sul no começo do século XX. Seu grupo chegou ao Pólo com um mês de atraso em relação ao grupo do noruegues Amudsen. Scott e seus dois companheiros morreram de frio, fome e escorbuto a 15 km de um depósito de alimentos. Fatalidade ou falta de planejamento? Um pouco das duas coisas combinadas e associadas ao imprevisível clima da Antártica. Scott já havia passado privações em sua primeira expedição, o que o levou a romper com seu companheiro Schackleton (que sobreviveria a uma frustrada expedição em 1914/15). Para viajar pela região mais fria do planeta ele deixava depósitos de alimentos e roupas a intervalos regulares de distâncias. Estes ficaram espalhados pelos 1.300 km de caminhada pelo gelo e neve entre A Terra do Rei Eduardo VII e o Polo Sul.
No entanto, a quantidade de alimentos deixada correspondia quase que exatamente às necessidades de seus homens no intervalo de distância entre os depósitos. Desta forma, o risco de morrer de fome se agravava a cada imprevisto que ocorresse. Aliado a isso, houve também a falta de previsão relacionada à maior necessidade de alimentos calóricos causada pela queda da temperatura no começo do outono antártico e o maior cansaço no percurso de volta. Durante todo o diário ele elogia os seus pôneis e critica os cães. No entanto, foram estes últimos que levaram o grupo de Amudsen a chegar primeiro ao Polo Sul e os levaram de volta antes do final do verão.
Independentemente disso, a leitura dos diários de Scott nos leva ao mundo das expedições do começo do século XX. Nos leva à corrida para chegar ao último ponto do planeta onde o homem ainda não havia colocado os pés, o Polo Sul. A época das descobertas termina no mesmo dia em que começou a primeira grande guerra. Neste dia saia da Inglaterra o navio Endurance com a expedição de Schakleton, que planejava cruzar o continente Antártico a pé durante o verão de 1914/15. Ele não conseguiu nem chegar ao ponto de partida. O Endurance foi tragado pelo gelo (The ice takes what it gets, diz Schakleton em seu diário) e os homens da expedição passaram seis meses acampados sobre o mar congelado. Quando começou o degelo navegaram nos escaleres até as ilhas Elefante. De lá,Schakleton e mais 4 companheiros empreenderam a mais perigosa travessia marítima que existe no planeta a bordo de um dos escaleres e, contando somente com um cronometro, um sextante e uma bússola. Sairam das ilhas Elefante, passaram ao largo do Cabo Horn e chegaram a uma parte desabitada das ilhas Geórgia do Sul. Ali empreenderam uma caminhada por montanhas e glaciares até chegar a um porto de baleeiros. Dali ele iniciou o resgate de seus homens, que só foi terminar no verão do ano seguinte (1916). Sua volta à Inglaterra passou quase despercebida em meio à carnificina da primeira guerra mundial.
Estes dois livros foram traduzidos recentemente para o idioma brasileiro e podem ser encontrados nas boas livrarias. Os originais em inglês pode ser encomendados no site www.amazon.com.
R.F. Scott, Scotts last expedition: the journals, 1st Carrol anGraf ed., New York, 1996.
C. Alexander, The Endurance, Schackletons legendary antarctic expedition, Alfred A Knopf, New York, 2001.
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