Travessia Marins - Itaguaré - Um trekking de três dias pela Serra da Mantiqueira
Álbum de Fotos


por Marco A-De Paoli


As montanhas de Marins e Itaguaré fazem parte da Serra da Mantiqueira e estão no município de Piquete, SP e no município de Cruzeiro, SP respectivamente. A travessia é realizada no espigão que faz a divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. A trilha foi aberta em 1993 por um grupo do Clube Excursionista Campineiro, liderado pelo "Seu Maeda" (ver a crônica Marins Iama no Gami). De um modo geral, inicia-se a caminhada pela subida do Marins a partir do Morro do Careca. A travessia completa pode ser feita em 3 dias de forma confortável por pessoas com bom treinamento. É necessário carregar água na maior parte do percurso e a temperatura acima de 2.000 m de altitude sempre é muito baixa, principalmente a noite.

Para chegar ao Morro do Careca deve-se seguir o seguinte caminho: a partir de Lorena, cidade próxima à Via Dutra, tomar a estrada que segue para Itajubá, logo depois de Piquete há uma estrada asfaltada que sai para a direita antes da subida da serra. Seguir esta estrada até um vilarejo, onde se toma uma estrada meio de terra e meio calçada que segue para o Pico do Marins. Depois da subida da serra há um portal de ferro onde só passa carro ou camionete. Segue-se a estrada de terra, virando para a direita na primeira encruzilhada e seguindo o caminho mais batido até o final. Muitas pessoas costumam deixar os seus carros por ali mesmo, mas deve-se assegurar um transporte para vir busca-los. Algumas pousadas da região fazem este transporte se as estradas não estiverem muito ruins.

Do morro do careca já se pode ver o pico do Marins, a altura do pico era divulgada como 2422 m, porém o IBGE atualizou a medição com instrumentos mais modernos e precisos e encontrou o valor exato de 2420,7 m. A trilha começa em um pequeno bosque à esquerda, antes do final da estrada, e vai subindo a encosta do morro de modo suave. A trilha é toda marcada com traços amarelos nas pedras. Estes traços foram feitos pelo Maeda em 1993 e já estão um pouco apagados. Leva-se aproximadamente 3 horas do Careca à base do Marins onde se pode armar o acampamento e coletar água. Da base ao pico são mais 2,5 horas de ida e volta. Do alto do Marins pode-se ver grande parte do Vale do Paraíba. Recomenda-se passar a noite neste acampamento. No dia seguinte tomar a trilha em direção à Pedra Redonda, seguindo em direção oposta ao Marins, atravessando um capinzal alto e chegando a um ponto onde se pode coletar água de boa qualidade (há uma marca na pedra). Dali para frente seguir as marcas amarelas.

Do Marins até a Pedra Redonda leva-se umas 4 horas de caminhada. É um trecho muito técnico com algumas dificuldades de navegação e de transposição de pedras. No trecho mais difícil há uma corda deixada pelo Maeda (recomenda-se verificar a sua resistência antes de descer). A Pedra Redonda é um bom ponto para parar e comer antes de seguir adiante. Dali o caminho é mais fácil de seguir porque já se pode ver o Itaguaré (se não houver neblina) e segue-se pelo espigão da montanha. Há dois pontos onde se pode acampar. O primeiro depois de três horas de caminhada, antes do Itaguaré, em um lugar plano e bem protegido do vento pelos arbustos, porém sem água. Cuidado com as falsas trilhas de saída e falsos totens. A saída se dá pelo meio dos arbustos, sempre seguindo as marcações amarelas. O outro ponto de acampamento é na base do Itaguaré depois de passar o ponto de acesso ao pico. Este ponto está marcado com uma seta amarela apontando para cima. Em nossa travessia optamos por acampar no primeiro local porque a caminhada até o segundo é difícil e árdua. Há várias passagens por grutas estreitas onde é necessário que uma pessoa fique do outro lado pegando as mochilas.

A escalada ao pico do Itaguaré (2.308 m) é relativamente fácil, mas exige um pouco de cuidado. Avista do topo do pico é deslumbrante. Depois de descer à base do pico e voltar ao local de acampamento pode-se terminar o percurso em 3 ou 4 horas, descendo em direção à mata, passando por uma descida de pedra bem inclinada que exige um pouco de cuidado, principalmente devido ao cansaço nesta etapa da caminhada. Depois é só descer pela trilha que vai pelo meio da mata em caminho sombreado até encontrar um brejo e um rio. Chega-se a uma grande clareira na beira da estrada de terra que vai de Marmelópolis para Passa Quatro. Esta clareira é adequada para acampar, pois é ampla, gramada e tem o rio bem perto. Antes de chegar à clareira há uma trilha a direita que leva até a estrada asfaltada para Cruzeiro, mais 3 horas de caminhada, onde pode-se pegar um ônibus para retornar para Lorena, Rio ou São Paulo.

Quando fizemos a caminhada, no feriado do 1o. de Maio, pegamos uma forte chuva no trecho entre a Pedra Redonda e o acampamento 2. Além disso, choveu toda a noite. De manhã acordamos com a exclamação do Maeda: "Ô roco, noxaxinhora, tudo moiado!". Havia entrado chuva em sua barraca. Notamos que grande parte da trilha está bem batida e marcada com os traços amarelos. É preciso tomar um pouco de cuidado porque em alguns lugares há falsas marcações e falsas trilhas.

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