Relatos da Expedição - Um diário do dia-a-dia dessa aventura.
Nosso maior desafio tinha chegado, ou seja, percorrer a distancia de 640 km que liga Humaitá a cidade de Manaus, o único meio de acessar Manaus por terra de quem vem do sul do Brasil. A estrada foi construida nos anos 70 e nunca mais teve manutenção e tão pouco circulação. Um dia já foi todinha asfaltada e hoje só restou pedaços de asfalto, muitos buracos e pontes sobre rios, sobre buracos na estrada e sobre erosões, além disso algumas balsas. O percurso é duro de percorrer e demorado, além de nãohaver abastecimento algum em todo o percurso... veja como foi nosso dia-a-dia nesse local.
28/abril - Humaita - 1o. Acampamento KM 140
Tiramos a parte da manhã para buscar algumas informações mais precisas já que tudo que tínhamos eram apenas "lendas" e informações quebradas. Junto ao DNIT conseguimos saber que as pontes até determinado trecho estavam boas a partir dali só mesmo no local, resolvemos seguir mesmo assim. Aproveitamos para abastecer os carros e os tanques sobressalentes, alguma provisão de comida e água que precisávamos e por volta da meio dia partimos para parar quando fosse escurecer, no lugar que fosse.
A 30 km de Humaitá tem o entrocamento que segue para Lábrea - um desafio e tanto para percorrer - e a direita segue para Manaus, uma breve parada para fotos e seguimos, a ansiedade por conhecer essa estrada sempre foi muito grande entre todos.
Percorremos os primeiros 110 km relativamente numa boa, hora com buracos no asfalto, alguns trechos de lama e as pontes estavam em bom estado. Por uma informação na estrada paramos no km 140 na Torre da Embratel Raulysson, de frente ao sítio do Seu Tomaz que foi muito receptivo com a gente, o Brasil tem pessoas excelentes espalhadas nos lugares mais remotos que possa imaginar.
29/abril - KM 140 ao KM 277
Depois de um belo café e mais um pouco de bate papo com Seu Tomáz e seu filho Bueno partimos pra mais de nove horas... Depois de 10 km que saímos tem início alguns grandes atoleiros e pedaços literalmente de asfalto. O dia estava bem claro e sem chuvas facilitando nosso deslocamento, entretanto, o deslocamento nesse trajeto é bastante baixo devido aos enormes buracos encoberdos de água e barro, alguns atoleiros e pontes.
Passamos pela comunidade do Piquiá no KM 171 que possui no máximo 4 casinhas. Rodamos o dia todo apenas 136 km e paramos apenas as 17:20hs na Torre BRASIL já no KM 277. Aproveitamos um riozinho que tem ao lado da torre para um merecido banho, Jean tratou de fazer mais um belo carreteiro e ainda tivemos tempo de curtir o show de estrelas durante toda a noite. Um local bom para pernoite, calmo, sossegado e absolutamente sem ninguém. O dia todo cruzamos apenas uma toyota da Embratel e dois caras de motos, ambos em sentido contrário.
30/abril - KM 277 ao KM 353
Saímos da torre Brasil logo cedo, antes de partirmos chegou um "estranho" de moto que estava passando mal devido a cansaço, sede e fome. Esse estranho se tornou nosso amigo e companheiro de viagem até Manaus, ajudamos o Airton no que foi preciso com as provisões que tínhamos e tirando ele de atoleiros diversas vezes, tudo isso sem ele pedir, fizemos mesmo por companheirismo de estrada. O Airton seguiu com a gente nesse percurso que seria um dos dias mais difíceis. A partir do KM 277 as coisas ficam bem piores com mais lama, mais
buracos fundos e pontes precárias, alguns trechos a mata invadiu a estrada toda e tivemos que abrir uma clareira para passar, mas nosso maior desafio estava por vir. No KM 333 a ponte havia caído e estava sendo concertada, quando chegamos o desânimo caiu em nossas caras porque a previsão era de pelo menos 4 a 5 dias para finalizar.
Mas mesmo assim após uma conversa com mais calma com o responsável pela obra Seu Nonato, mudou o sistema do serviço e ajudou os carros atravessarem, foi muito desafiante a travessia mas tudo ocorreu bem, inclusive a moto do Airton e pudemos seguir adiante, mas o dia ja estava chegando ao fim e percorremos apenas mais 20 km e paramos para mais uma pernoite, dessa vez sem rio para banho.
01/maio - KM 353 até Manaus - último dia
Antes mesmo das nove horas conseguimos arrumar as coisas, desarmar as
barracas de teto e partir, o Airton continuou com a gente, dessa vez mais recuperado e mais forte conseguia vencer os atoleiros com mais facilidade e com a nossa ajuda ia super bem. A estrada durante 1 a 2 horas depois do KM 353 Torre Aritóteles não muda muito, após isso a velocidade subiu para um pouco acima, cerca de 15 km/h e segue assim até a balsa do Igapó-Açu já no KM 423. Passando a balsa a média subiu para uns 40 km/h e seguimos assim até a próxima balsa sobre
o Rio Tupanã, na comunidade de São Francisco. A partir da balsa acaba tudo, ou seja, o asfalto melhora bem ficando até ótimo e segue assim até a próxima balsa de Careiro Castanho. A partir dessa balsa são mais 130 km até Careiro da Várzea onde faz a travessia do Rio Amazonas até Manaus. Chegamos ao centro da cidade quase as 22:00hs exautos mais felizes de ter comprido mais esse etapa, e que etapa.
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