16/01/2002 – 21o dia

A noite em Sta. Rita foi ótima para repor as energias, afinal tínhamos passado dois dias de trechos com muita chuva, muitas travessias e lama.

Logo cedo o Moa levou sua Toyota para arrumar o freio, o mesmo tinha dado problema logo depois do Jalapão, ou seja, suas pastilhas de freio traseiro tinham acabado em menos de 3000 kms. Tudo arrumado, completamos os tanques e partimos em direção a Barreiras. Hoje o dia vai ser todo de deslocamento, estamos rumando em direção ao Parque Estadual de Terra Ronca. A estrada saindo de St.a Rita tem um trecho de aproximadamente 50 kms em péssimo estado, com muitos buracos, na verdade verdadeiras crateras onde a velocidade não passa dos 20km/h.

Chegando em Barreiras a estrada muda muito, os buracos diminuem bastante, mas o trecho entre Barreiras e Luis Eduardo Magalhães ainda apresenta buracos na pista. A Toyota vem apresentando problemas de carregar a bateria, resolvemos verificar em Luis Eduardo antes do escurecer, o que no final foi a melhor coisa que fizemos, pois ficaríamos na estrada por falta de energia.

Resolvido o problema com a troca do rotor e uma limpeza, seguimos viagem já no inicio da noite, a estrada até a entrada para São Domingos o asfalto é excelente. Uma entrada a direita fica o acesso a São Domingos que no mapa mostrava asfaltada, mas depois de alguns kilometros a estrada simplesmente acabou e virou um trecho de lama onde as máquinas estavam de plantão para tirar os carros dos enroscos, mas nos passamos com uma certa tranqüilidade curtindo aquela trilhazinha noturna para fechar o dia. Nos hospedamos no Hotel Araújo uma excelente opção bem em frente à praça principal, com diárias de 12,00 com café incluído. 

17/01/2002 – 22o dia

O Marco e a Tércia já tinham passado pela região e conheciam um guia que poderia nos levar aos principais pontos, o Jackson chegou logo que acabávamos de tomar o café, arrumamos as coisas e partimos para as cavernas.

Entramos no parque e fomos direto para a Caverna da Angélica, o dia ameaçava chuva mas não tirava nosso animo. Uma rápida trilhazinha a beira do rio chegamos na entrada da caverna. Preparamos os equipamentos, capacete, lanternas e carbureto e entramos nessa belíssima caverna com formações de milhões de anos, se estiver pela região não deixe de caminhar por dentro dessa caverna, mesmo na escuridão absoluta a sensação de paz e contato com a natureza é muito bom.

Depois de umas 02:00hs dentro da caverna, partimos para a mais famosa que dá nome ao parque, a caverna de Terra Ronca que recebe esse nome pelo barulho produzido dentro da caverna pelas águas “roncam” dentro dela.

A porta de entrada tem aproximadamente 90 metros de abertura e uma extensão de 700 metros. Andamos pela lateral esquerda que nessa época as águas estão altas até chegarmos em uma travessia do rio para podermos prosseguir. Como precisávamos nos molhar até pelo menos na cintura a Tercia, o Puff e a Lori resolveram ficar por ali mesmo. Mas nós não iríamos desistir, afinal rodamos quase 6000kms e não podia perder a oportunidade de ver a saida dessa caverna. Com certeza valeu muito a pena existe duas portas de saída, uma por onde o rio antigamente saía e com o tempo criou a saída que permanece ate hoje em um nível mais baixo. O volume do rio Terra Ronca sobe cerca de uns 3 metros em dias de chuva, existe outra caverna seguindo por dentro do rio cerca de uns 2 kms, mas infelizmente não pudemos conhecer pela época que estamos.

No final do dia voltamos a cidade e chegamos no finalzinho da tarde, afinal são uns 50 kms de estrada de terra até essa caverna em direção a Posse.

Comemos um belo jantar preparado pela Dona Helo, tomamos uma cerveja bem gelada no quiosque em frente à pousada e fomos descansar.

A melhor época de visitar a região é entre abril a agosto, temporada de seca onde se pode conhecer mais cavernas e caminhar na região sem problemas com as trombas d’água que acontecem. Combinamos com o Jackson para fazermos uma caminhada ao Morro do Moleque no próximo dia.

Volta