14/01/2002 – 19o dia

Nosso próximo destino seria a cidade de Caracol, porta de entrada para o Parque da Serra das Confusões, distante cerca de 2 horas por estrada de terra de São Raimundo Nonato. Como nosso dia seria de pouco deslocamento saímos com calma da pousada e pegamos a estrada de terra, o dia estava bom e a estrada é boa apesar de alguns trechos com costela de vaca.

Chegamos em Caracol e procuramos nos informar quem era o responsável pelo Ibama na região, única maneira de conhecer o parque. No posto de combustível nos informaram onde o Mitinho morava, mas por infelicidade ele nos disse que o parque estava fechado para visitação, pois havia um grupo de pesquisa da USP e estava fazendo varias coletas em toda  a área.

O parque dessa vez ficara para outra oportunidade, resolvemos seguir o roteiro e tentar chegar no final do dia em uma cidade onde pudéssemos dormir.

Saindo de Caracol, seguimos para Peixes, Baluarte e Morro Cabeça no Tempo, seguindo a dica do Mitinho.

Quando partimos sabíamos que seria estradas de terra, mas não trilhas alagadas onde a velocidade não passava de 10  a 20 km/h. Para percorrer cerca de 180 kms demoramos praticamente 6 horas com água e mais água na trilha e alguns trechos chovendo torrencialmente. O Marco que vinha logo atrás de nós em uma saída de uma das infinitas poças de água atolou e depois das fotos (lógico) foi puxado para fora, o restante foi de certa maneira tranqüilo..

Antes de escurecer conseguimos chegar em Morro Cabeça no Tempo e depois de ver as condições precárias dos hotéis, resolvemos acampar em algum lugar, perguntamos ao povo local que nos informou para acamparmos na escola da nova cidade.

Montamos o acampamento nessa escola, fizemos nosso jantar e logo estávamos dormindo, amanha teríamos uma grande travessia de terra e precisávamos partir logo cedo.

Nesse dia traçamos no mapa um trecho onde não há indicação que existe estrada, estrada não existe mesmo, mas foi um dia que nos divertimos bastante e conhecemos uma área bastante inóspita quase na divida do Piauí com a Bahia.

15/01/2002 – 20o dia

Preparamos nosso café-da-manha e partimos logo cedo em baixo de muita chuva, nosso destino seria chegar em Santa Rita de Cássia, onde encontraríamos o asfalto para continuar o percurso.

A chuva não dava nenhuma trégua o dia todo e atravessamos trechos de baixadas  totalmente alagadas onde a água passava por cima dos capôs dos Jipes, outros com lama, buracos e algumas vilas no caminho.

Nesse dia entramos na Bahia e seguimos para Avelino Lopes, Arueria e finalmente Santa Rita de Cássia. A todo o momento parávamos e pedíamos informações se estávamos no rumo certo. Em Avelino Lopes o pessoal do bar não acreditava que pudéssemos chegar e davam outras opções de rotas, desviando cerca de 350 km por asfalto. Mas como tínhamos a informação que tinha condições de passarmos, arriscamos e em cerca de 10 horas completamos toda a travessia. Passamos por incrível que parece pelo polígono da seca completamente embaixo de chuva e quase todo alagado, realmente um fato bastante pitoresco.

A cidade que chegamos no final do dia é banhada pelo Rio Preto, um subafluente do Rio São Francisco, ele deságua no Rio Grande que por sua vez deságua no São Francisco. Conseguimos nos instalar em uma pousada bem localizada, pois tínhamos levado um recado de um senhor que estava com o carro quebrado na estrada e era dono da pousada. Finalmente conseguimos esticar os ossos, tomar um belo banho e comer em um lugar bem bacana. Como em toda a cidade a pergunta se somos do Rally e a hospitalidade continua em todos os lugares. Amanhã seguimos para a Cachoeira do Acaba Vida, quase divisa com Tocantins a Oeste.

Volta